Resiliência na gestação, parto e pós-parto
Resiliente é a pessoa que se adapta diante das adversidades,
que se ajusta a realidade com menor sofrimento.
Nem sempre a vida sai como programada, idealizada,
romantizada (digo eu). E a gestação, o parto e a maternidade não escapam dessa
verdade.
Muitas vezes as gestantes se surpreendem diante de desafios
físicos e emocionais na gestação que não são mencionados rotineiramente. E desse
desconhecimento e não acolhimento das sensações e emoções vem mais culpa, dor,
sofrimento.
O parto, quando não é visto como um sofrimento
desnecessário, é idealizado como uma vivência romântica, orgasmica, leve,
suave, com playlist de MPB. Mas, o parto é um vivência intensa, sexual,
dinâmica e sobre o qual não há quase nenhum controle (por isso o sistema mecanizado
e patriarcal pira – como assim não há controle sobre o corpo da mulher?)
A maternidade então é a coisa mais romantizada na vida
virtual, das propagandas, dos filmes etc., Maternar é intenso, visceral e muda
muitooooo a vida da mulher. Mais do que se imagina. O bebê real muitas vezes é
diferente do bebê real – ele chora mais, mama mais do que o esperado, às vezes
tem desafios de saúde... A maternidade exige uma disponibilidade física,
mental, emocional e energética muito loka.
É então preciso adaptar-se, aceitar, fluir, resistir, mas
com flexibilidade, com autoestima, com leveza, com compaixão.
A resiliência vem de uma certeza de que damos conta das
adversidades, que nosso corpo, físico, mental e emocional dá conta de tudo
isso. A humanidade existe porque mulheres dão conta há milhares de anos de
gestar, parir e maternar gente! A resiliência vem da auto compaixão, acolhendo
nossos limites, nossos sentimentos, sejam quais forem, pedindo ajuda e buscando
conforto com auto cuidado, gentileza, suporte da família, suporte
especializado, educação perinatal.
Não temos o controle sobre quase nada na vida, apenas sobre as escolhas de como reagir aos fatos, às necessidades que se apresentam, à impermanência (sim, autoconhecimento, treino, inteligência emocional). Talvez aqui a máxima "a dor é inevitável, o sofrimento é opcional" caiba para entendermos que depende um tanto do nosso olhar, das nossas crenças, das nossas escolhas.
A aceitação da realidade com positividade e o otimismo, não é para nos colocar em um lugar de passividade, mas de ação necessária e possível. Nem tudo nos cabe, porque apesar de do poder individual que temos, todas estamos em um sistema familiar, social, histórico, político, Universal (sabe aquela que "há mais coisas entre o céu e a terra que pode imaginar nossa vã filosofia? então!). Não é para aceitarmos a violência obstétrica por exemplo (ou o genocídio do governo, o machismo da sociedade, a toxidade das relações), mas para mudar não podemos adoecer de sofrimento e negatividade ou nos entregarmos à cesarianas eletivas sem fundamento- é preciso resiliência!
Yoga, meditação, terapia, educação perinatal, pré-natal
físico e emocional, são ferramentas que podem contribuir para o desenvolvimento
da resiliência também nessas fases da vida da mulher.
As gestantes e novas mães da pandemia mostraram que a
resiliência vem acompanhada da vontade de viver a experiência que se apresenta
da melhor forma possível e com segurança. A resiliência se apresenta com a
criatividade para criar novas formas de vivenciar a gestação, parto e
maternidade com apoio, com cuidado, com conexão, mesmo diante de um vírus que
nos ameaça enquanto humanidade. Minhas alunas de yoga on line foram ótimas
nisso - só exemplos positivos!
Sinto que a resiliência vem fortalecida em amor. Amor pela
vida, por si mesma, pelo bebê que vai chegar, por estar aqui e agora nessa
experiência. Sejamos!
turma de yoga on line para gestantes na pandemia
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| gestante em aula de yoga on line |



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