DOULA 



Há nove anos escolhi ser doula. (atualiando em 2025 - já são 12 anos doulando!)

Costumo dizer que não foi só uma escolha, mas um chamado para o qual não pude dizer não. De uma busca pessoa para entender a violência obstétrica que sofri, acabei em um curso de doula, dando aulas de yoga para gestantes e doulando.

Sou coordenadora da Roda de Gestantes de Tubarão há 09 anos. Como não era permitida a entrada de doulas nos hospitais na época, resolvi começar com educação perinatal. E foi um sucesso! Um trabalho social que trouxe transformações para a vida de muitas mulheres, bebês e famílias. 



Doula não é um artigo de luxo, ainda que ainda seja privilégio de poucas mulheres no Brasil, deveria ser política pública, diante das evidências científicas que apontam vários benefícios de se ter uma doula e nenhum malefício.

Em 2012, Hodnett et al. publicou uma revisão atualizada pela Biblioteca Cochrane sobre o apoio contínuo para as mulheres durante o parto. Eles reuniram os resultados de 22 estudos que incluíram mais de 15.000 mulheres. Estas mulheres foram randomizadas entre aquelas que receberam apoio contínuo individual durante o parto ou as que tiveram o “cuidado habitual”.

Foi prestado apoio contínuo por um membro da equipe do hospital, como uma parteira ou enfermeira (9 estudos); por mulheres que não faziam parte da rede social da mulher nem dos funcionários do hospital (5 estudos com doulas; 1 estudo com educadoras perinatais e 1 estudo com enfermeiras aposentadas), ou por um acompanhante da rede social da mulher (como uma parente ou parceiro (6 estudos). Em 11 dos estudos, o marido / companheiro não tinha permissão para estar presente ao nascimento e o apoio contínuo foi comparado com nenhum apoio. Em todos os outros estudos, o marido ou parceiro foi autorizado a estar presente, além de a pessoa que prestou apoio contínuo.

No geral, as mulheres que receberam apoio contínuo foram mais propensas a ter partos vaginais espontâneos e menos propensas a ter qualquer medicação para a dor, a apresentar sentimentos negativos sobre o parto, e ao parto instrumental (uso de fórceps ou vácuo) ou de precisarem de cesariana. Além disso, seus trabalhos de parto foram cerca de 40 minutos mais curtos e seus bebês menos propensos a ter baixos índices de Apgar no nascimento.

Portanto a gestante que tiver o apoio continuo durante o trabalho de parto (isto é, alguém que nunca saia do seu lado) estará, estatisticamente, mais propensa a ter melhores resultados e o nascimento do seu bebê a ter melhores desfechos!

Os pesquisadores também analisaram os dados para saber se o tipo de apoio que a mulher recebeu fez alguma diferença. Eles queriam saber se importa quem você escolhe para o seu apoio continuo ou se faz alguma diferença entre escolher uma parteira, doula ou parceiro. Eles foram capazes de olhar para esta questão por meio de 6 indicadores: uso de qualquer medicação para dor, uso de oxitocina no trabalho de parto, parto vaginal espontâneo, necessidade de cesariana, a admissão do bebê na UTI após o nascimento e avaliações negativas da experiência do nascimento.

Para a maioria desses indicadores, os melhores resultados ocorreram quando a mulher teve o apoio de uma doula – que não era nem membro da equipe hospitalar e que não fazia parte da rede social da mulher. Quando o suporte de parto foi fornecido por uma doula, as mulheres experimentaram:

  • Diminuição de 31 % na utilização de oxitocina*;
  • Diminuição de 28 % no risco de cirurgia cesariana*;
  • Aumento de 12% na probabilidade de um parto vaginal espontâneo*;
  • Diminuição de 9 % na utilização de qualquer medicação para o alívio da dor;
  • Diminuição de 14 % no risco de recém-nascidos de serem admitidos a um berçário de cuidados especiais;
  • Diminuição de 34 % no risco de estar insatisfeito com a experiência do nascimento.*

Para quatro destes resultados, os marcados com *, com uma doula eram melhores do que todos os outros tipos de apoio contínuo que foram estudados. Para os outros resultados, não houve diferença entre os tipos de suporte contínuo.


Ter uma doula é tão eficaz por diversas razões. A primeira é a teoria do “ambiente hostil”. Na maioria dos países desenvolvidos, desde que o nascimento passou do ambiente domiciliar para o hospital, as mulheres têm dado à luz em condições que muitas vezes podem ser consideradas como adversas. No hospital, as parturientes são, frequentemente, submetidas às rotinas institucionais, as taxas de intervenção são elevadas, as pessoas são desconhecidas, falta privacidade, a iluminação é intensa, etc. A maioria de nós tem dificuldade em lidar com este ambiente mesmo em condições normais, mas as mulheres em trabalho de parto têm que lidar com tudo isso em um momento muito vulnerável. Essas condições podem retardar o trabalho de uma mulher e diminuir sua auto-confiança. Pensa-se que uma doula atenua este ambiente hostil, fornecendo apoio contínuo e companheirismo, o que promove a auto-estima da mãe (Hofmeyr, Nikodem et al., 1991).

Outra razão para a eficácia do trabalho das doulas é porque elas representam, de certa forma, um tipo de alivio da dor (Hofmeyr,1991). Com o apoio contínuo, as mulheres são menos propensas a pedir analgesia peridural ou outro tipo de medicação para dor (Hodnett , 2011). E por que as mulheres com doulas são menos propensas a solicitar medicamentos para a dor? Bem, as mulheres são menos propensas a solicitar medicamentos quando têm uma doula porque elas simplesmente não sentem que precisam tanto assim de uma peridural! Mulheres que tem uma doula são, estatisticamente, mais propensas a sentir menos dor quando a doula está presente. Além disso, evitando anestesia, as mulheres podem evitar outras intervenções médicas que muitas vezes vão junto com uma peridural, incluindo a administração de ocitocina sintética e aumento do monitoramento fetal eletrônico contínuo (Caton, Corry et al., 2002).

 Acho importante mencionar também que as doulas fazem um trabalho de educação perinatal que não é feito, via de regra, pela assistência médica, e o conhecimento sobre a gestação e parto, leva mulheres a ter mais satisfação com o próprio parto e ter mais sucesso neste, segundo também as evidências científicas.


Eu atendo como doula na região de Tubarão, Imbituba, Garopaba. E estou aqui para servi-la e ser suporte na experiência do parto! Vamos juntas?

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